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« tradução » Cantos de Inocencia y Experiencia William Blake Tradução de Jesús David Curbelo e Susana Haug Morales Devo criar um sistema ou serei escravizado pelo sistema alheio. Nem refletirei nem compararei: minha ocupação é criar", são palavras de William Blake, um dos homens mais estranhos da literatura, segundo Jorge Luis Borges. A radicalidade do seu gênio é já conhecida do público brasileiro através de traduções parciais de sua obra, entre as quais a de Paulo Vizioli, no volume "William Blake - Poesia e Prosa Selecionadas" (J.C. Ismael, Editor; São Paulo, 1984) . O poema "O Tigre", de "Canções de Experiência", teve tradução memorável de Augusto de Campos em "Viva Vaia - Poesia 1949-1979 " (Duas Cidades, São Paulo, 1979) e de José Paulo Paes em "Gregos e Baianos " (Brasiliense, São Paulo, 1985). Assim como "O Casamento do Céu e do Inferno", organizado e traduzido por Ivo Barroso (editora Hedra, 2008). "As Canções de Inocência e Experiência" vieram a público em português na tradução de Leonardo Gonçalves e Mário Alves Coutinho (Belo Horizonte, Crisálida, 2005). Mas se traduzir é interpretar, Eutomia acolhe agora a versão espanhola destas duas coleções geminadas, que nos são trazidas pelos cubanos Jesús David Curbelo e Susana Haug Morales. Curbelo é poeta, crítico e tradutor literário. Licenciado em Filologia, atualmente trabalha como chefe da Redação de Poesía nas Ediciones Unión, na cidade de Havana. É também Professor Adjunto de Literatura Latinoamericana na Universidade de Havana. Morales é narradora, ensaísta, poeta e tradutora literária. É licenciada em Filología pela Universidade de Havana, onde atualmente trabalha como professora de Literatura Latinoamericana e de Crítica Literária. Ambos receberam prêmios nacionais e internacionais. "Cantos de Inocencia y Experiencia" vem acompanhados de uma nota introdutória dos tradutores. Leia na Íntegra |
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« tradução » Dois Poemas de Natasha Tretheway Tradução de Sueli Cavendish A poeta Natasha Trethewey nasceu em Gulfport, Mississipi. Seu primeiro livro, Domestic Work (Graywolf Press, 2000), recebeu o primeiro prêmio de poesia Cave Canem (1999), o prêmio de melhor livro de poesia do Mississippi Institute of Arts and Letters (2001) e o Prêmio de Poesia Lillian Smith (2001). A segunda coletânea, Bellocq's Ophelia (Graywolf, 2002), conquistou o primeiro prêmio do Mississippi Institute of Arts and Letters em 2003. Seus trabalhos vêm sendo publicados em vários volumes da ‘Melhor Poesia Americana’ (Best American Poetry), e nas revistas Agni, American Poetry Review, Callaloo, Gettysburg Review, Kenyon Review, New England Review e The Southern Review. Tretheway tem bacharelado em Inglês pela Universidade da Geórgia, mestrado em Inglês e escrita criativa pela Universidade de Hollins e mestrado em Belas Artes (poesia) pela Universidade de Massachusetts. Recebeu bolsas de estudo da Fundação Guggenheim, da Fundação Rockefeller, do Instituto Radcliffe para Estudos Avançados da Universidade de Harvard e do National Endowment for the Arts. Ensinou nas Universidades de Auburn, Chapel Hill e Duke. Seu livro mais recente, Guarda Nativa (Native Guard) (Houghton Mifflin 2006), recebeu o Prêmio Pulitzer de Poesia em 2007. Atualmente é professora do Departamento de Inglês da Universidade de Emory. Seus poemas são diretos, realistas, complexos e portadores de uma poderosa carga crítica sem que sua escrita, porém, se deixe seduzir pelo panfletarismo. Na pequena amostra aqui apresentada a experiência pessoal adere perfeitamente à dura experiência histórica e coletiva do apartheid norte-americano. A linguagem sóbria e contida potencializa o choque, entre fantasmas sombrios do passado e suas imagens claras, iridescentes e luminosas. . Leia na Íntegra |
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« poesia » Ritmo dos Nus Almir Castro Barros É pernambucano e nasceu em Maraial, Zona da Mata Sul, em 1945. Eutomia publica 20 de seus poemas, dez dos quais extraídos do livro Ritmo dos Nus (Edição do Autor, 1992) e os outros dez extraídos de Ardentias (Bagaço, Recife/2006). Além destes livros publicou também Estações da Viagem, O Lugar da Alma e Os Cães da Sina. O poeta Delmo Montenegro se indaga sobre a escolha do título Ardentias, em seu prefácio a este livro, estranhando o preciosismo da palavra na capa de uma obra tão atual. E explica: “ardências são fosforescências-do-mar, minúsculos plânctons cujo brilho – produzido no interior de seus organismos – transforma a visão à noite num espetáculo de luzes, num fluxo trêmulo e difuso de estonteantes epifanias. Falar de ardentias é falar de um lugar comum da poesia marinha, mas falar de ardentias é também dar uma imagem perfeita do encantamento produzido pela poética de Almir Castro Barros”. Entretanto os efeitos, luminescentes ou não, obtidos pelo poeta de modo algum resultam de concessões. Em Ritmo dos Nus as dificuldades já se manifestam na caça sem tréguas ao ritmo puro. Há, de uma palavra a outra, de um verso a outro verso, desvios abruptos. Vozes distintas se insinuam, vocábulos adversos se justapõem, significados se fecham por um breve instante para logo serem suspensos. A nudez é a do leitor à mercê deste ritmo. Como a fugacidade daquilo que nomeia, em Ardentias tudo está em constante metamorfose. Dobra-se a esquina de uma viela e é-se alguém diverso, ou coisa diversa e o lugar já é bem outro, assim como outro é também o mundo, sem que se saiba ao certo em que dimensão. Leia na Íntegra |
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« tradução » Ricardo Sternberg Traduções de Maria Lucia Milleo Martins Carioca radicado no Canadá desde a adolescência, o poeta Ricardo Sternberg escreve não em português, seu idioma nativo, e sim em inglês. Mas a segunda língua tornou-se de fato uma segunda natureza, e ele domina com perfeição os recursos sonoros, semânticos e prosódicos do inglês. Tem predileção por um verso livre largo, com uma dicção bem próxima à fala coloquial, mas também é capaz de escrever em dísticos rimados e de compor numa das formas mais exigentes de todas, a sextina. A voz que ouvimos nesses poemas é sempre lúcida, muitas vezes irônica, mas sempre afetuosa. Apesar de ter se tornado um escritor de expressão inglesa, Sternberg — que leciona literatura brasileira e portuguesa na University of Toronto — jamais perdeu o vínculo com seu país de origem. Boa parte de sua poesia tematiza episódios de sua infância, mobilizando personagens que são recriações de figuras que marcaram as primeiras décadas de sua vida no Rio de Janeiro, como "a tia", o "Paulito" e a "Ana-Louca" dos poemas incluídos nesta pequena mostra. Porém a memória não é o único manancial explorado por Sternberg em sua poesia, que tem forte teor narrativo, como ilustra “The true story of my life”. Seu segundo livro, "Map of dreams" (1996), é acima de tudo o relato de uma viagem marítima fantástica em busca de um arquipélago paradisíaco; “I, Diego, son of Juan” e “Across the arch of centuries” fazem parte desse volume. Foram extraídos do livro de estréia de Sternberg, "The invention of honey" (1990), os poemas “Thread and needle”, “Onions”, “A pelican in the wilderness”, “Ana-Louca”, “Guaratiba”, “Tia” e “The true story of my life”. Os poemas adicionais pertencem ao mais recente livro do autor, "Bamboo church" (2003). (PHB). Leia na Íntegra |
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« poesia » Poemas Virna Teixeira Virna Teixeira é poeta e tradutora. Nasceu em Fortaleza em 1971, é graduada em Medicina pela UFC, com residência em Neurologia pela Universidade de São Paulo, mestrado em Medicina do Sono pela Edinburgh University e especialização em Dependência Química pela UNIFESP. Mora em São Paulo há vários anos, onde trabalha como neuropsiquiatra. Publicou dois livros de poesia pela 7 letras, Visita (2000) e "Distância" (2005) e os livros de tradução Na estação centraldo poeta escocês Edwin Morgan pela coleção “poetas do mundo” (editora UnB, 2006) e antologia de poesia escocesa Ovelha Negra (Lumme Editor, 2007). Atualmente cursa o doutorado em Letras no departamento de Lingüística da USP. Virna, de cuja poesia Eutomia apresenta uma pequena amostra, exerce, como explica Luiz Costa Lima (Carta Capital 29/04/2009) o lírico “que, por ser lírico é frágil, e por ser poético, é forte. Virna recupera a voz lírica de Manuel Bandeira.” Leia na Íntegra |
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« tradução » Poemas de Ray Bianchi Tradução de Paulo Henriques Britto Nascido em Chicago, filho de imigrantes italianos, Ray Bianchi teve uma formação que incluiu um período trabalhando como voluntário na Bolívia e no Brasil (ele é casado com a artista plástica brasileira Waltraud Haas). Alguns de seus poetas prediletos escreveram em línguas neolatinas: Montale, Ungaretti, Neruda. Sua poesia dialoga com obras de arte as mais variadas, incorporando referências a artistas tão díspares quanto Dante e Leni Riefenstahl, e tem um acentuado pendor ensaístico. Bianchi coeditou (com William Allegrezza) a antologia The City Visible: Chicago Poetry for the New Century (2007), e editou e traduziu a seção sobre poesia brasileira da revista Aufgabe, em 2008. Publicou Circular Descent (2004), American Master (2005) e Immediate Empire (2008, com trabalho gráfico de Waltraud Hass), livro do qual foram extraídos os poemas aqui publicados (PHB). Leia na Íntegra |
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« poesia » Efeito Piazzolla e Luz de Fins de Agosto Márcia Cavendish Wanderley Márcia Cavendish Wanderley nasceu em Recife e vive no Rio desde 1976. É autora de A voz embargada - imagens da mulher em romances brasileiros e ingleses do séc. XIX (EDUSP) e de muitos artigos em revistas e jornais, assim como em capítulos no livro Mulher, Gênero e Sociedade e Literatura e Feminismo: propostas teóricas e reflexões críticas. Atualmente escreve ensaios, contos e poesia. Professora aposentada da graduação do Departamento de Sociologia da UFF, continua radicada à pós-graduação do mesmo Departamento onde leciona Sociologia da Literatura. É mestre em Sociologia, Doutora em Literatura Brasileira e realizou estudos de pós-doutorado nas Universidades de Yale e Montreal. Organizou 3 livros póstumos de Jorge Wanderley e participou da antologia de poesia "Sete Vozes", organizada pela Editora da Palavra, onde aparece pela primeira vez como poeta. Em 2008 organizou, juntamente com Carlos Eduardo Fialho e Sueli Cavendish, o livro Do jeito Delas: Vozes Femininas em Língua Inglesa, pela editora 7Letras, coletânea de poemas de grandes nomes da literatura inglesa moderna, traduzidos por Jorge Wanderley. Em 2006 saiu o seu primeiro livro de poemas, O terceiro Jardim, pela Editora da Palavra. Leia na Íntegra |
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« artigo » A Escrita de Uma Vida: Budapeste, de Chico Buarque Martha Miller - UNCC/USA Grande parte das leituras críticas sobre "Budapeste", de Chico Buarque, vê este romance como exemplaridade da pós-modernidade e da globalização. Martha Miller, a contrapelo dessas visões, trata-o como uma jornada existencial em que o protagonista, José Costa, busca reescrever sua existência fracassada no Brasil voltando a ser uma página em branco, espécie de tabula rasa, a fim de dominar o húngaro, “única língua do mundo que. . . o diabo respeita.” O subproduto dessa empreitada quixotesca que não atinge a perfeição é o desenvolvimento de relações genuínas e uma nova família. Martha LaFollette Miller é professora da Universidade de North Carolina em Charlotte, USA. Atualmente é professora visitante do Departamento de Letras da UFPE e bolsista Fulbright. Leia na Íntegra - Read in English |
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« artigo » O Escritor: uma Máquina de Produzir Desordem Claudio Alexandre de Barros Teixeira - USP Ana Hatherly fez uma releitura criativa da herança cultural barroca, ao mesmo tempo em que dialogou com formas e procedimentos da vanguarda internacional (e em particular com a Poesia Concreta), visando a reinvenção da escrita, mesclando recursos da literatura, da música, da pintura e outras formas de expressão. Claudio Daniel aponta o gesto transgressivo da autora ao chamar seu livro “O Escritor” de romance, uma vez que a obra escapa a qualquer definição de texto literário, questionando inclusive o conceito de literatura. (CD) Leia na Íntegra |
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« artigo » Um dedo de prosa (e verso) Lucius Provase - USP A poesia dos anos 70 tem suscitado estudos excelentes, que serviram para pôr a poesia marginal no mapa acadêmico. Rapidamente mostraram uma repetição de padrões e uma série de tensões. Os padrões seriam, por exemplo, uma poética centrada no cotidiano, ou, mais do que isso, centrada no “eu”, que pagava tributo à poesia modernista (especialmente a Oswald de Andrade) por utilizar-se de poemas curtos recheados de ironia. Uma das tensões seria a contradição entre essa poética do “eu”, seu desbunde, e a pesada época de censura em que viviam. Neste artigo uma indagação é colocada: existe uma base teórica para os poetas marginais? Qual é essa base teórica? Em que ela pode nos ajudar a entender melhor o fazer poético da década de 70? Para melhor compreender as implicações dessas perguntas, o autor discute as relações entre o Cacaso teórico e o Cacaso poeta, como parte de um esforço de compreensão das bases teóricas da poesia marginal. (LP) Leia na Íntegra |
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« artigo » Meu tio o Iauaretê – o tecido da obra nas malhas da onça Michelle Valois - UFPE Em "Meu tio o Iauaretê, technê, poiesis e mimesis" simetrizam o agon-luta da narrativa em agon-jogo da narração. A technê de Tonho Tigreiro, narrador que enleia, intriga, ludibria e embosca narratário e leitor, reencena a technê caçadora, predadora, do onceiro tornado onça. Na obra acabada, seus feitos como personagem transmutam-se em poiésis – suas proezas de bravo caçador têm ares de boasting poems, seus massacres de predador operam a damnatio ad bestias dos vícios humanos estetizados em tableaux vivants. A onça que ele mimetiza se faz ver e ouvir no tecido mesmo da palavra - nas armadilhas da narração, no cratilismo da linguagem - operando uma mímesis em mise en abyme que, denunciando as astúcias da feitura, exime-se da aspiração a cópia da realidade (MV). Leia na Íntegra |
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« artigo » Ruy Duarte de Carvalho em transumância pelos discursos Sandro Ornellas - UFBA Introdução à leitura de alguns dos procedimentos discursivos que o angolano Ruy Duarte de Carvalho utiliza para produzir seus textos escritos. Misto de imaginação poética, ficção, observação etnográfica, testemunho, memorialismo e ensaio, seus livros transitam – à maneira dos pastores nômades Kuvale que o autor estuda – entre diferentes modos de subjetivação, estabelecendo seus argumentos também sobre diferentes autorias e autoridades, seja a literária, seja a etnográfica, seja mesmo a coletiva, no caso de poemas e coletâneas de poemas, com forte inflexão etnopoética (SO). Leia na Íntegra |
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« artigo » Entre o Belo e o Verdadeiro – Perseguição e Fuga em Ode sobre uma Urna Grega Sueli Cavendish - UFPE A idéia estética dinamiza a mente, ocasionando (Kant) um fluxo de reflexões que jamais é abarcado por um conceito. Ou seja, o entendimento luta por oferecer um conceito a uma intuição estética, que sempre escapa, porém, à apreensão cognitiva. Há, do mesmo modo, idéias da razão que permanecem indeterminadas, posto que indemonstráveis por qualquer intuição sensível. No primeiro caso o movimento parte do sensível ao pensamento; no segundo parte do pensamento a uma apresentação na forma de uma intuição sensível. Ao afirmar que o belo é um símbolo do bem moral, Kant atribui ao símbolo a capacidade de dar acesso sensível a algo que é supra-sensível. Dessa forma, a impossibilidade de subsumir a idéia estética sob um conceito simboliza, ou demonstra fenomenologicamente, a incapacidade de se demonstrar o conceito de moral. É por essa via que o belo aponta para o bem. Considerando que a expressão simbólica da idéia de imaginação foi a busca por excelência da poesia romântica, o objetivo deste artigo é examinar a “Ode sobre uma Urna Grega”, de John Keats, à base das questões mencionadas. Leia na Íntegra |
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« artigo » Marcas da tradição no tecido narrativo da obra Maria Luísa, de Lúcia Miguel Pereira Edwirgens Aparecida Ribeiro Lopes de Almeida- UNB O artigo examina os traços do conservadorismo e da tradição impregnados no romance "Maria Luísa", de Lúcia Miguel Pereira, publicado no ano de 1933. Ao descrever as marcas dessa tradição, sobretudo religiosa, que direcionou a educação da protagonista "Maria Luísa", a autora revela a dissimulação e o falseamento que constroem as máscaras sociais e que enredam os relacionamentos familiares e sociais. (EA) Leia na Íntegra |
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« tradução » O Ariano e o não-ariano Franz Boas Tradução de Luiz Costa Lima - PUC/Rio Franz Boas (1858 – 1942), etnólogo e antrópologo de origem alemã, ocupou por mais de quarenta anos, desde 1899, a cadeira de antropologia na Columbia University. Seu colega de profissão, pertencente à geração seguinte, R. H. Lowie dele escreveria que “comparados com ele, a todos os seus contemporâneos parece faltar profundidade” (History of ethnological theory, 1937). Pesquisador incansável, suas dezenas de monografias permaneceram espalhadas em periódicos especializados, poucas sendo recolhidas em livros. O mais importante deles é o "Race, language and culture" (1940), frequentemente reeditado, que compreende pesquisas de campo realizadas desde 1894 até 1937. Anteriormente havia publicado "The Mind of primitive man" (1911) e "Primitive art "(1927). Além de seu estrito mérito profissional, Boas se destaca, na história da antropologia, por haver sido um dos primeiros a preparar uma equipe de investigadoras femininas, de que são famosas Margaret Mead e Ruth Benedict. - Quer para o cientista social em geral, como para a comunidade culta, Boas tem seu nome guardado como aquele que, tendo recebido uma educação na etnografia diferenciadora das raças, soube aproveitar sua vida nos Estados Unidos, para, dedicando-se à pesquisa das populações indígenas ainda sobreviventes e submetendo-as aos testes antropométricos em vigor, haver demonstrado, que essas populações nativas não apresentavam diferenças de índice cefálico ou de grau de fertilidade quanto aos emigrantes brancos; em suma, não confirmarem as suposições, que serão mantidas em vigor ainda na década de 1930 no Brasil (cf. os testes realizados pela perícia policial quanto ao suspeito de uma chacina ocorrida em São Paulo, em 1938, in Boris Fausto: "O Crime do restaurante chinês. Carnaval, futebol e justiça na São Paulo dos anos 30", Companhia das Letras, São Paulo, 2009) de que as raças se distinguiam por diferenças tanto físicas como mentais (LCL). Leia na Íntegra |
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« artigo » O ensino de literaturas em língua estrangeira no curso de Letras: uma idéia fora do lugar? Lajosy Silva - UFA Este artigo trata de uma questão crucial: a supressão nos cursos de letras da aprendizagem de literaturas estrangeiras ou sua consideração como mera superficialidade. Ou seja, o cultivo literário é visto como espécie de adorno, excrescência ou inutilidade, desnecessário à formação de professores de língua com ênfase em lingüística e teoria do discurso, reduzida ao conhecimento do manejo pragmático e ao conhecimento mecânico de uma língua. Obviamente isso ocorre no contexto de uma sociedade que, subordinada crescentemente à tecnologia, não sabe explicar que uma obra – a obra de arte – se defina por sua ausência de função específica. Essa prática, cujo crescimento o autor denuncia, conduz ao distanciamento cada vez maior entre o intelectual brasileiro e o estrangeiro e as suas conseqüências não são menos que desastrosas. Uma delas pode ser vista nos acervos das editoras, que cada vez mais publicam livros de crítica e história da pintura e cada vez menos de literatura. Enquanto isso se vê que os autores de uma produção considerável de romances, contos e poesia não encontram meios de publicação senão aqueles que já se tornaram nossos conhecidos com a denominação de certo modo pejorativa de “edição do autor.” Leia na Íntegra |
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