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Este é o primeiro número temático de Eutomia. Pluritemático, melhor diríamos, uma vez que oferecemos aos nossos colaboradores em Literatura, além de “o fenômeno Sousândrade”, tema permanente da revista - sobre o qual escreve Carlos Torres-Marchal o esplêndido “A lenda do Tatuturema” - mais três alternativas: ‘a poética de Carlos Pena Filho’, sobre a qual Alexandre Maia, UFPE, desenvolve o seu ensaio, aí encontrando duas ordens de composição: uma em que a ‘demanda estética se associa à natureza sensorial da palavra’; outra em que assomam a visão épica e a retórica de cunho popular e ideológico; ‘Literatura e Comunicação’, em que se enquadra ‘The Future Growls: Voices and Machines in Eudora Welty’s One Writer’s Beginnings’, de Noel Polk - Mississippi University. O texto, aqui no original, será publicado em português na Eutomia de julho de 2010; ‘Literatura e Artes Plásticas’, em que se incluem mais quatro contribuições: o belo ensaio de Michelle Valois, UFPE - “A Hora e a Vez dos Pequeninos: O Burro e o Boi no Presépio de Guimarães Rosa”-; “Sombras de uma Arcádia: a Rusticatio mexicana, análise das relações poesia e imagem no século XVIII latino-americano”, realizada com o apuro de Alfredo Cordiviola, UFPE; “Lances de um Encontro Porvir”, de Aline Magalhães Pinto, PUC-Rio, em que promove encontros ‘da escrita e da imagem, da ficção e do real, do Eu e do Outro’ e “Expressionismo Abstrato Americano: Expansão para o Espaço”, de Clara Cavendish Wanderley Roth, PUC-Rio, reflexão sobre a representação e a abstração na action painting. Sobre o ‘fenômeno Sousândrade’ três ensaios foram aprovados pelo nosso Conselho Editorial, e serão lidos na seção Literatura – artigos. Correndo em raia extraordinária – o currículo dos cursos de Letras - mas de fundamental importância para os que se dedicam ao ofício de pensar a literatura no Brasil, a sempre lúcida contribuição de Luiz Costa Lima: “A Praga do Beletrismo”. No encarte, que publicamos desde Eutomia de julho de 2009, sob a responsabilidade do Professor César Giusti, todo o restante do primeiro número da Revista José: “O sistema intelectual brasileiro”, de Luiz Costa Lima, “A Visão Antecipadora de Sousândrade, de Luiza Lobo, e contribuições de outros integrantes do Gráfico Amador: Orlando da Costa Ferreira e Laurênio de Melo. Giusti ressalta também o interesse de uma “arqueologia das letras de música que relatam fatos históricos”, de Sérgio Cabral. Boa Leitura. |
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Sueli Cavendish (Editora) |
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Em Linguística, a edição deste número de Eutomia, é dedicada à recepção das idéias de Bakhtin e de seu Círculo no mundo acadêmico, evidenciando as contribuições teóricas e práticas nos estudos da linguagem, do discurso e as interlocuções teóricas com outras áreas do conhecimento. O ensaio de Adail Sobral revisita a noção de Gênero na perspectiva do materialismo dialético e das idéias de Emanuel Kant; Tatiana Luna e Dóris Cunha empreendem uma análise dialógica do gênero guia eleitoral radiofônico na Eleição Majoritária da Cidade do Recife em 2004, demonstrando que os gêneros são construtos históricos que servem a determinados propósitos comunicativos e instauram diferentes formas de relações sociais. Maria Bernardete Oliveira discute como o conceito de linguagem, como prática, é construído na formulação do Círculo, explorando a relação entre linguagem, realidade e sujeito; Cristina Sampaio e colaboradores abordam o problema do sentido e da alteridade, em Bakhtin, nos espaços e nas fronteiras existentes ente as imagens e as palavras, demonstrando como os sentidos estão imbricados nas imagens e nas palavras ao recuperarem as imagens verbais no tempo-espaço da memória-trabalho dos idosos de Sairé; Marília Amorim faz uma análise dialógica de um texto clínico de Freud, lançando mão do conceito de voz, da teoria dialógica do discurso de Bakhtin, problematizando a questão do discurso citado na passagem da pesquisa de campo para a situação da escrita e suas implicações para a epistemologia das ciências humanas; Siane Goes Cavalcanti Rodrigues analisa o efeito autoria em três gêneros do discurso científico (monografia, dissertação e tese) pelo viés do dialogismo bakhtiniano, concluindo que o sujeito constitui-se autor quando “dirige” o diálogo travado entre a sua consciência e a de outrem; Luciana de Paula e Marina de Figueiredo empreendem uma análise do texto “Achadouros”, de Manoel de Barros, cuja arquitetônica – conceito utilizado por Bakhtin/Voloshinov para designar a relação entre a arte e a vida, na existência humana –, reconstrói o mundo por meio da composição de um discurso estético repleto de metalinguagem, de reflexão poética, de erotismo, de subjetivismo e de lirismo; Maria Aldenora de Araújo faz uma análise do jogo dialógico de contigüidade entre as memórias discursivas da língua materna e da língua inglesa presentes em enunciados escritos em inglês como idioma estrangeiro, à luz do conceito bakhtiniano de memória na linguagem configurada pelas vozes dos vários eus presentes no ato enunciativo; Gerenice Cortes analisa de que forma o dialogismo e a alteridade figuram e se configuram o/no discurso científico, demonstrando que o ato da criação científica, expresso em discurso, só adquire a sua plenitude quando entra em comunhão com a dimensão dialógica da linguagem, a qual não existiria sem a presença do outro. Uma boa leitura aos caros Leitores de Eutomia! |
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Cristina Sampaio (Editora Assistente) |
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Ainda nesta edição |
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